Desde muito novo eu pensava à frente. Isso parece vantagem, até você perceber o outro lado. Você começa a se sentir deslocado, como se estivesse sempre fora do tempo das pessoas ao redor. E eu paguei esse preço. Enfrentei crises profundas, períodos de depressão e aquela sensação silenciosa de não pertencer. A pior parte não era a dor, era ter que engolir ela sozinho e continuar funcionando.
Com o tempo, eu entendi que o que me quebrava também podia me construir. Eu aprendi a canalizar essa intensidade, essa visão e essa urgência em algo maior do que eu. Foi aí que nasceu a BOTA A CARA. Não como um projeto, mas como um compromisso.
Hoje, a minha experiência não vem só do palco. Vem do que eu precisei resolver por dentro pra continuar de pé. E é por isso que eu trabalho com a próxima geração. Pra encurtar caminhos, evitar que jovens brilhantes se percam no próprio silêncio e transformar dor em direção.
Eu não ensino só a falar. Eu ensino a se posicionar, decidir e agir. Porque eu sei exatamente o que custa ficar travado. E eu sei o que muda quando você finalmente bota a cara.